Vinícius's profileMeu Espaço de IdeiasBlogLists Tools Help

Meu Espaço de Ideias

Um blog filosófico, sociológico e teológico sem compromisso.
November 12

O que quer dizer “Deus é fiel”?

Como é bela a liberdade de expressão, não? Como é bonito vivermos numa sociedade que temos a possibilidade de escrever numa folha de papel – ou digitar num microcomputador – qualquer baboseira e enviar a um jornal. E não estou sendo irônico. Até porque, não fosse assim, eu não teria a liberdade de escrever o que escrevo agora, e publicá-lo aqui, mesmo que seja pra desencargo de consciência.

 

Hoje, a Folha de S. Paulo publicou mais um artigo com temática religiosa, um tanto quanto estranho. Um tal Dr. Cláudio Santos, 49 anos, neurocientista e escritor, escreveu um texto teológico colocando em dúvida a expressão “Deus é fiel”, muito utilizada pelos evangélicos. Qual o interesse da Folha em publicar algo do gênero? Chamar leitores, e dar mais uma cutucada na guerra que trava há anos com a Universal de Edir Macedo, aposto eu.

 

O problema não está no jornal publicar um artigo de cunho ateu, até porque esta é uma das formas de credo dos dias atuais, mas de publicarem algo de tão mau gosto quanto este do tal neurocientista. Dias atrás, nesta mesma seção “Opinião”, estava impresso um texto escrito pelo senador da República, Marcelo Crivella, auto-intitulado “bispo” da mesma Igreja Universal. Resolveram responder à altura.

 

O artigo de hoje começa falando de política, passa pelos conflitos religiosos e termina na desgraça humana. Tudo culpa de quem? De Deus, é óbvio. Mas chega a incomodar como o tal doutor, mesmo tratando dos assuntos neste tom, escreve “Deus” e “Ele” com maiúsculas, chamando-O inclusive de Pai Eterno, ao mesmo tempo que coloca a questão “se é que Ele existe”. É para caçoar daqueles que têm fé?

 

Estava me esquecendo das fontes bibliográficas que ele utilizou para escrever este texto “teológico”, as quais ele cita no decorrer da escrita: Freud, Marx, Nietzsche, Feuerbach, Hegel. Pensadores típicos daqueles que, não querendo apontar o dedo para si próprios, apontam para o Alto.

 

O sarcasmo deste senhor de meia-idade chega ao ápice quando ele escreve: “a quem Ele seria fiel? Aos católicos que trucidam protestantes e aos protestantes que trucidam católicos?”, citando ainda se seria aos nazistas, israelenses, muçulmanos e “ocidentais”, Stálin, Hitler; ou seja, colocando gente de tudo quanto é tipo no mesmo “balaio-de-gato”. Só ele e seus amigos cientistas não estão no meio, óbvio.Ele conclui que Deus é “bem mais fiel” àqueles que esbanjam dinheiro em shoppings do que às crianças que pedem nas ruas de São Paulo. Termina dizendo que o ser humano tem de parar com sua “tendência universal de se curvar e obedecer”.

 

Pobre Dr. Cláudio, cujo currículo é tão grande e a capacidade de enxergar é tão curta. Ele está confundindo os deuses. Quem é fiel aos ricos, e implacável com os pobres, é sua “deusa” ciência. Ela foi a culpada pelas duas guerras mundiais. É nela – e seus dois alicerces, o evolucionismo e a lógica – que fizeram Hitler fazer o que fez. É ela - que surgiu de mãos dadas com a indústria e o capital financeiro - que na verdade está por trás de todos os conflitos citados por este senhor, desde Stálin, até a Faixa de Gaza. Será que é o excesso de ciência que não o faz enxergar?

 

Agora respondo a pergunta principal: Deus é fiel, sim. Ele é o único refúgio de muitos que vivem as desgraças criadas pelo próprio homem. Ele nunca nos abandonou, chamando sempre pessoas, para que alguém se sinta obrigado a ajudar aos mais necessitados – o que os cientistas, doutores e acadêmicos não fazem. Ele enviou seu próprio Filho para que as pessoas vivessem pela Verdade, e não pela escuridão; vivessem pelos outros, e não por si sós.

 

O que me dá tristeza é pensar que este artigo, publicado no principal jornal do país, fará com que tanta gente leia e vibre, pensando “é isso mesmo”. Pode não parecer, mas é uma grande colaboração para que o mundo continue parecendo tão abandonado por Deus, quando na verdade está abandonado pelos homens.

November 10

Um líder sorridente, um porrete pros vagabundos e pão para os pobres

Há exatos 72 anos atrás, as rádios de todo o país transmitiam incessantemente o discurso do Presidente da República, Getúlio Vargas. O que ele dizia era uma série de desculpas para justificar o fato de ter diluído as eleições, fechado o Congresso e aprovado uma nova Constituição. Era o início do Estado Novo, um dos períodos que considero mais intrigantes da história desse país. Por quê?

 

Porque ele demonstra como uma figura carismática é fundamental para nosso povo. Porque ainda hoje Getúlio é tido como o maior Presidente que este país já teve. O “Pai dos Pobres”. Mas o que era o Estado Novo? Uma ditadura. A nova Carta Magna aprovada em 10 de novembro de 1937 iria prolongar o governo de Vargas, que já vinha desde 1930, até 1945. Se você sair por aí perguntando para as pessoas o que elas acharam da ditadura militar, a esmagadora maioria vai dizer que foi negativa. Mas e a ditadura getulista? Por que ela foi tão boa?

 

Ela fez avanços para o país? Fez. Principalmente para o povo. Mas os militares também trouxeram coisas boas. A diferença era aquelas carrancas que eles carregavam na face. Um pesadelo, comparado ao sorriso do Velhinho. O Estado Novo mostra, para mim, como a democracia, a transparência dos governantes e a própria política é descartável no Brasil. Em nome de míseros avanços na qualidade de vida da maioria pobre da população, tudo se justifica.

 

Se Getúlio parece de uma época distante, temos hoje na Presidência alguém que quer ser mais que o Barrigudinho. O Barbudinho não cansa de repetir “nunca na história desse país”, algo que Vargas gostava de falar também. Ambos se acham o Messias. Lula se compara a Jesus com todas as letras. Vocês acham que o povo não apoiaria um golpe de Estado de Luís Inácio? É lógico que sim. A diferença é que ele não tem os fantasmas que rondavam Vargas: comunismo, fascismo, nazismo. O mundo hoje é liberal. Lula culparia quem para continuar no poder? A oposição? As privatizações?

 

Esses oito anos do Partido dos Trabalhadores no poder foram o Novo Estado Novo. Sem polícia na rua, mas também com poderes irrestritos ao carismático presidente. Ano que vem, nesta data, já saberemos se Lula conseguirá continuar no comando – mesmo nos bastidores. Será mesmo que ele é mais que Vargas? No romantismo, já perdeu. Devia ser muito mais emocionante ouvir discursos pelo rádio, ao invés dele atrapalhar o intervalo do nosso Jornal Nacional.

 

[Um texto para relembrar o assunto e o tom do blog já desativado "Cerebrando o Cotidiano" (www.cerebrandoocotidiano.blogspot.com)]

November 07

A Folha perguntou: “É hostil ao cristianismo a decisão da Corte Europeia que condenou crucifixo em escolas italianas?”

Eu respondo: SIM, é óbvio.

 

Até porque a pergunta parece ter sido mal formulada. Se perguntassem se a retirada dos crucifixos foi vantajosa para o tal “Estado laico”, ou para a política da liberdade religiosa, ou para os ateus e protestantes que crescem em número e voracidade de atitudes em nossos dias, aí poderia se pensar na resposta. Mas para o verdadeiro cristianismo, que há quase dois milênios está presente na Europa – principalmente na Itália -, a retirada do seu símbolo maior, de qualquer ambiente que seja, é hostil. Incrivelmente hostil. Qual cristão católico não se sentirá ofendido a não ver mais na parede a imagem de seu Salvador?

 

Questão parecida com esta surgiu aqui no Brasil, referente às imagens que ornamentavam as instituições públicas, como tribunais. E – sabiamente – foi decidido que cabe aos funcionários do próprio local a decisão de se a imagem permanecerá lá ou não. A sentença foi uma maneira de se respeitar uma CULTURA que está presente no país desde o primeiro passo de um branco nestas terras. Imaginem na Itália, então? País escolhido pelo sucessor do próprio Cristo para fundar a Igreja do Senhor. O mais engraçado é que a decisão foi tomada pela Corte Europeia – que não tem juízes italianos. Fico imaginando se o MERCOSUL avançasse ao ponto de se igualar aos moldes da União Europeia. Imaginem: uma questão brasileira, sendo decidida por uma Corte Sulamericana, onde só estariam juízes paraguaios, argentinos, etc.

 

A questão que realmente me preocupa nesta história é como os agnósticos, ateus e protestantes estão lutando com unhas e dentes contra os símbolos católicos. No mínimo, é uma visão egoísta e parcial. Observam-se os símbolos como se eles forçassem alguém a ser cristão, a se curvar perante o sofrimento do Cristo. Esses grupos radicais se esquecem da herança histórica que existe nestas imagens, sejam elas esculturas, pinturas, etc. Se é para apagar o passado, vamos ter de derrubar todas as arquiteturas antigas presentes em tantas cidades, já que elas também lembrariam um suposto período “de trevas” da história da humanidade, e seriam uma afronta à tecnologia e eficácia dos nossos prédios pós-modernos.

 

Quanto à escola, duvido que algum professor utilizava o exemplo daquele crucifixo pendurado para alguma de suas aulas. E duvido que as crianças não-católicas se sentissem ofendidas com a presença da imagem de nosso Senhor ali. E se algumas delas perguntassem o que era aquilo - já que seus pais relutavam em não ensiná-las, para que elas crescessem, sei lá, mais livres, leves e soltas, mais humanizadas – também estavam no seu direito infantil, direito ao conhecimento.

 

Não vendo como a imagem de Cristo pode ofender alguém, a não ser que exista sob a mente destas pessoas um incrível preconceito, percebo que a retirada à força de símbolos cristãos de onde eles estão há tantos anos, é hostil não para só quem crê neles, mas para a humanidade como um todo, e sua história.

November 06

Kant e a ética do século XXI

"Tendo em vista o que foi exposto neste trabalho acerca das ideias do filósofo Imannuel Kant em relação ao Iluminismo e a capacidade do homem de se guiar por si só com base no pensamento racional, pode-se concluir que a sociedade do século XXI, e seus processos inovadores de telecomunicações, geram uma falsa impressão de avanço intelectual, mas que acabam sendo um meio de influência junto às pessoas que se agrupam como uma massa, já que a simples abundância de informações não pressupõem uma devida conclusão racional tirada destas, e também pelo fato de que os grupos de interesse se utilizarem dos sentimentos do povo para que eles tenham a falsa impressão de estarem bem informados e “intelectualizados”.

Isto se reflete diretamente no ramo moral e ético, já que estando sob esta “falsa iluminação”, as pessoas se sentem livres para criar sua própria ética, que, não sendo devidamente baseada na razão, pode se tornar apenas representação de determinados interesses particulares. Confiando cegamente na indústria midiática que supostamente traria as informações corretas, as pessoas acabam crendo em leis morais frouxas que as levam a um sentimento de que tudo vale e é permitido em prol do bem particular.

Portanto, as ideias de Kant continuam atuais: somente um processo completo de racionalização da realidade, dando a liberdade para as pessoas pensarem por si só e saírem da tutela de determinados grupos, pode fazer com que a sociedade compreenda-se melhor e, dessa maneira, crie códigos éticos mais condizentes e eficazes para sua realidade e suas necessidades."

 

[Trecho final de um trabalho de Filosofia escrito por mim]

A inimiga da produtividade

Ambiente de trabalho: lugar de concentração e seriedade. Queimação de neurônios e utilização de músculos. São horas e mais horas em frente à tela do computador, sem despregar o olho nem pra tomar água. Tudo em nome da empresa.

Ok, ok. Ninguém trabalha desse jeito. Não há mal nenhum em fazer aquela paradinha estratégica para bater um papo, tomar um café, fumar um cigarro (melhor não!). O problema é quando esses momentos de descontração se tornam longos demais, e – voilá! – ali está a preguiça fazendo vítimas.

Quem nunca se viu tentado a ficar um tempinho a mais conversando com os colegas, ou esperando o almoço fazer aquela digestão extra (talvez até um cochilo!), ou até uma boquinha no meio do expediente?

Todos devemos criar e cultivar relacionamentos, afinal, não somos máquinas. Mas, cuidado! A preguiça é sorrateira. Se você ficar pedindo “mais cinco minutinhos” sempre, pode ficar tachado de preguiçoso e anti-produtivo, e pior: ter problemas com seu chefe. Talvez aí você poderá assistir a Sessão da Tarde à vontade em casa.

 

[Texto escrito para o Jornal Mural "O Pecado Mora ao Lado", dos graduandos de Relações Públicas, 1ª série, matutino, da U.E.L., com a temática da Preguiça na empresa]

 

Vinícius Ferreira

Occupation
Location
Um aspirante a relações-públicas.